Publicado em 16 Novembro 2021

Ética em IA; um tema Amplo, Urgente e... Controverso.

Tecnologia
Escrito por Jerônimo do Valle
Atualmente, os atores que debatem o assunto tendem a ser aqueles com maiores riscos financeiros envolvidos e, como se não bastasse, temos também a mídia que o confunde com películas de futuros apocalípticos.
Isto torna difícil avaliar as verdadeiras motivações de cada grupo, sobretudo se considerarmos que a frase “a regulamentação pode sufocar a inovação” parece constituir o principal - senão o único -, argumento contra a implantação de leis que obriguem a devida consideração pelo dano potencial inerente.

O dilema, no entanto, é lícito e mais profundo.

Por exemplo, os automóveis tradicionais não têm a capacidade de tomar decisões que possam prejudicar pessoas. Seu Ford Escort 1984 não pode escolher mudar de faixa por conta própria, a menos que o faça por uma grave falha “mecânica”, enquanto, o seu super carro, modelo 2021, com o chamado “Full Self Driving” habilitado, já pode.

Esta decisão, entretanto, não está a ser tomada com base na moral ou em quaisquer valores pessoais. O veículo está a fazer o que foi "programado" para fazer. Programado, aliás, por alguém humano e com a sua própria noção da palavra "ética".

Não é, portanto, “inteligente”. Não entende as estradas ou o que seja “conduzir”. Na realidade, não é capaz de discernir entre atropelar um assassino ou salvar uma freira, pois todo o cenário é movido apenas por código pré-definido, capaz de atualizar dados em tempo real.

O problema, então, não é relacionado ao "desenvolvimento" de IA, mas ao quadro ético referente à "implantação" da mesma.

Claro, não é possível argumentar contra o tão almejado e bem-vindo avanço da tecnologia. Todavia, não havendo indicação de que estejamos, sequer, no mesmo milênio de uma inteligência artificial autônoma, o que urge, talvez, seja a necessidade em regular a ética de “quem” vai programar os tais dispositivos “inteligentes”, e definir “como” isto vai ser implementado no mundo real.

O restante é apenas ficção científica... por enquanto.