Publicado em 13 Dezembro 2021

IoT: A Questão da Cibersegurança.

Internet das Coisas
Escrito por Jerônimo do Valle
Em 2017, havia cerca de 8,4 bilhões de eletrônicos habilitados para internet e, já em 2030, este número deve chegar a 500 bilhões ! Como todos vão estar online, todo o tempo, cada um desses dispositivos - seja um assistente pessoal com reconhecimento de voz, um parquímetro de estacionamento ou um simples sensor de temperatura de um robô industrial - estará vulnerável a um ataque cibernético e/ou poderá, mesmo, fazer parte de uma investida maior.
O fato é que, hoje, muitos dos equipamentos “inteligentes” e conectados à web são feitos por grandes empresas - como Google, Apple, Microsoft e Samsung - que possuem os recursos e o incentivo de marketing para resolverem rapidamente quaisquer problemas de segurança. Entretanto esta realidade não se estende ao universo das “companhias menores”, num mundo cada vez mais lotado de componentes digitais e devices dos mais diversos como lâmpadas, campainhas e até pacotes enviados pela UPS. Estes aparelhos e seus pequenos “cérebros” são eventualmente confecionados por fábricas “desconhecidas”, muitas sem os fundos, a capacidade ou, ainda, sem a própria necessidade de reconhecimento de marca para incorporar medidas avançadas de segurança.

Para citar um exemplo, dispositivos inseguros de “internet das coisas” já contribuíram para grandes desastres cibernéticos, como o ataque à DYN ( empresa americana de roteamento ), em outubro de 2016, que derrubou mais de 80 sites importantes e paralisou o tráfego de internet nos Estados Unidos.

A solução para esse problema, indubitavelmente, passa pela utilização de sistemas de blockchain.

Sabendo que os gigantes do mercado investem o suficiente em cibersegurança, devemos considerar um difícil dilema: a incontável quantidade de pacotes de software complexos sendo executados ao redor do planeta, neste exato momento. Tal situação, por si só, invariavelmente apresenta erros e permite vulnerabilidades, porém temos, em paralelo, o supracitado problema das marcas que produzem acessórios e/ou peças sem o devido controle e, com isto, deixam pequenas “portas abertas” por onde os atacantes podem entrar e causar danos a todo o macrocosmo digital.

Os dois fatores, assim combinados, constituem um inquietante obstáculo ao progresso.

Sim. A tecnologia “Blockchain” é uma criação brilhante e praticamente impossível de ser superada por hackers, todavia, não será suficiente para proteger os dispositivos da era da “internet das coisas”, a menos que toda a indústria a absorva. Desta forma, as empresas que vivem com pequenas margens de lucro precisam de apoio, incentivo e fiscalização para que adicionem esta camada de proteção às suas rotinas de produção.

Somente quando as duas condições forem preenchidas - a utilização de Blockchain e sua viabilização/normatização -, as grandes corporações e, também, os fabricantes anónimos da “IoT” serão capazes de integrar os usuários e a internet num ecossistema realmente seguro.

Fonte : The Conversation